Um mesmo "ser" ou uma mesma "essência" se manifestando em tempos diferentes é fascinante. Se olharmos pelo prisma do Hermetismo (que vem de Hermes Trismegisto, o Thoth egípcio), "o que está em cima é como o que está embaixo".
Assim sendo, nesse contexto, JK e os arquitetos de Brasília pareciam operar sob essa mesma lei.
O Congresso Nacional, talvez venha a ser o maior monumento esotérico da capital.
Deve-se observar que temos duas metades de uma esfera. Na simbologia egípcia e alquímica, isso representa o equilíbrio dos opostos:
● Cúpula Convexa (Câmara dos Deputados): Virada para baixo, como um caldeirão ou o útero materno. Ela representa o povo, a recepção, a energia "Yin" (passiva/receptiva). Ali, onde as demandas populares entram para serem gestadas.
● Cúpula Côncava (Senado Federal): Virada para cima, como uma antena ou o topo de um crânio. Representa a reflexão, a sabedoria, a energia "Yang" (ativa/espiritual). É a busca pelo alto, pelo conselho dos anciãos (o termo "Senado" vem de senex, velho/sábio).
As duas torres de escritórios no centro não formam apenas a letra "H". Elas lembram os Pilonos (portais monumentais) dos templos de Luxor e Karnak.
● No Egito, os pilonos protegiam a entrada dos recintos sagrados.
● Em Brasília, elas são o eixo de equilíbrio. Entre as torres, existe um vazio. Para muitos místicos, esse "vazio" é por onde flui a energia vital (o Prana ou Chi) que percorre todo o Eixo Monumental.
Neste ponto, a semelhança com o Egito é matemática. Assim como o templo de Abu Simbel foi construído para que o sol iluminasse o altar em datas específicas, o Congresso também foi desenhado para interagir com o astro-rei:
● Ao amanhecer, o sol nasce exatamente atrás do Congresso.
● Em certas épocas do ano, ele parece "pousar" exatamente entre as duas torres, como o disco solar da deusa Hathor ou no horizonte (Akhet). Marca, mostra, caracteriza o triunfo da luz sobre a matéria.
O enorme espelho d'água em frente não tem só a função de ajustar a umidade, como entendido pela maioria. Ele serve e atua como o Nilo ao refletir o céu na terra. Para os egípcios, o céu era um espelho do Egito (o Nilo terrestre e o Nilo celeste, a Via Láctea). Niemeyer usou a água para dobrar o tamanho do monumento através do reflexo, criando uma simetria perfeita entre o real e o ideal.
Nesse sentido, a partir de então, ao olhar para o Congresso deve-se tentar vê-lo não apenas como um prédio legislativo e de escritórios, mas como uma Balança de Maat (a deusa egípcia da justiça e da ordem).
De um lado os anseios e a vontade popular, do outro a análise, a sabedoria, e no centro o eixo que sustenta o equilíbrio do país.
"Deste Planalto Central que em breve se transformará
em cérebro das altas decisões nacionais…. ...
irradiar-se-ão os princípios de uma nova civilização."
(Juscelino Kubitschek)