O Itamaraty não é apenas uma das mais admiradas e a mais bela obra-prima de Niemeyer e Burle Marx; ele é, esotericamente falando, o Templo do Equilíbrio. Enquanto outros prédios da Esplanada são também belos e imponentes, o Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores, “flutua" sobre a água.
É destacado como um ponto marcante onde a colaboração entre Oscar Niemeyer, Burle Marx (paisagismo) e Athos Bulcão (painéis e azulejos) atingiu a perfeição.
Ao contrário de outros palácios, ele não tem colunas internas sustentando a laje; os vãos livres de 30 metros são sustentados pelos próprios arcos externos. A escada helicoidal (em caracol) no salão principal, sem corrimão, é uma obra de arte em si, desafiando a gravidade e transmitindo uma leveza espiritual.
O Palácio do Itamaraty abriga um acervo de cerca de 3.500 obras de arte brasileiras, incluindo pinturas, esculturas, tapeçarias e painéis, distribuídas em salões nobres e jardins internos. Entre outras destacam-se:
- Tapeçaria “Vegetação do Planalto Central”, de Roberto Burle Marx, no Salão de Banquetes.
- Painel “O Sonho de Dom Bosco”, de Alfredo Volpi e Painéis e treliças de azulejos, de Athos Bulcão, em diversos ambientes.
- Lustre "Revoada dos Pássaros", de Pedro Correia de Araújo.
- Esculturas: “Meteoro” de Bruno Giorgi, “Estrutura Azul”, de Emanoel Araújo e “O Pássaro”, de Marianne Peretti.
- Pinturas históricas como “Independência ou Morte” (estudo), de Pedro Américo, e “Coroação de D. Pedro I”, de Jean-Baptiste Debret. Outros nomes incluem Cândido Portinari, Maria Martins, Djanira, Rubem Valentim e Mary Vieira, com murais e esculturas integrados à arquitetura.
A harmonia das proporções e o silêncio visual do palácio transmitem uma sensação de ordem e transcendência, quase como um templo moderno dedicado à diplomacia e ao diálogo.
O grande espelho d'água que envolve o palácio, não é decorativo.
Na tradição mística, a água purifica a palavra antes que ela se torne diplomacia.
Para o Egito, era o Nilo; para o Itamaraty, analogamente, é essa barreira líquida que separa o ruído do mundo exterior da harmonia interna.
O espelho d'água que envolve o prédio, abriga a escultura "Meteoro" de Bruno Giorgi, que parece flutuar sobre a água, simbolizando a união dos cinco continentes.
Aquela escada interna, sem apoio central, é tida como mais um prodígio de engenharia e também interpretada como uma representação a ascensão da consciência.
É o DNA, o crescimento espiral que leva o diplomata (ou o buscador) de um nível de compreensão a outro, sem degraus rígidos.
O "Meteoro" de Bruno Giorgi, conhecida escultura no meio da água, com cinco blocos que se tocam, mas não se fundem, representa a união dos continentes.
Também são comumente associados aos cinco elementos da natureza, aos cinco sentidos que precisam estar em sutil harmonia para que o bom diálogo, a paz (o objetivo do prédio) seja alcançada.
"Brasília é a manifestação inequívoca de fé
na capacidade realizadora dos brasileiros, triunfo de espírito pioneiro,
prova de confiança na grandeza do país."
(Juscelino Kubitschek)